Morrerei por ser mulher”, diz a iraniana condenada ao apedrejamento

3 out

 

Presa desde 2006, Sakineh falou hoje ao jornal britânico Guardian por meio de um intermediário.

“A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país”.

É assim que Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada a morte por apedrejamento pelo “crime” de adultério, define o motivo pelo qual aguarda por uma das mais cruéis penas de morte do mundo.Presa desde 2006 na cadeia de Tabriz, Sakineh falou hoje ao jornal britânico Guardian por meio de um intermediário cuja identidade não foi revelada por razões de segurança.Leia abaixo as principais declarações de Sakineh.
Apedrejamento
“A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país. Para eles, adultério é pior que homicídio. Mas não todos os tipo de adultério: um homem adúltero pode nem ser preso, mas uma mulher adúltera é o fim do mundo. É por estar em um país onde as mulheres não têm o direito de se divorciar de seus maridos e estão privadas de direitos básicos.”
Medo
“Eles [as autoridades iranianas] estão mentindo. Estão envergonhadas com a atenção internacional dada ao meu caso e tentam desesperadamente distrair a atenção e confundir a mídia para que pudessem me matar em segredo.”
Julgamento
“Eu fui considerada culpada de adultério e fui absolvida pelo homicídio. O homem que realmente matou meu marido foi identificado e preso, mas ele não foi sentenciado à morte.Quando o juiz me entregou minha sentença, nem percebi que deveria ser apedrejada à morte porque eu não sabia o que ‘rajam’ significa. Eles me pediram para assinar minha sentença e eu o fiz, daí eu voltei à prisão, e os meus companheiros de cela me disseram que eu seria apedrejada à morte e eu, instantaneamente, desmaiei.”
Advogado
“Eles queriam se livrar do meu advogado [Mohammad Mostafaei] para que pudessem facilmente me acusar do que quer que fosse sem que ele denunciasse. Se não fossem os esforços dele, eu já teria sido apedrejada à morte, a essa altura.”(Prisão)”As palavras deles [dos guardas de Tabriz], o jeito como eles me olham – uma mulher adúltera que deveria ser apedrejada à morte – é como ser apedrejada à morte todos os dias.
Campanha”
Todos esses anos, elas [as autoridades iranianas] tentaram colocar uma coisa na minha cabeça, me convencer de que eu sou uma mulher adúltera, uma mãe irresponsável, uma criminosa. Mas, com o apoio internacional, uma vez mais eu me vejo uma pessoa inocente.
Não deixem que eles me apedrejem diante do meu filho”.
 
 
 
 
Fonte: Luis Clédio Monteiro
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